Dia 24/10 o Cine Clubinho exibirá “Limite” (1930) de Mario Peixoto.
Limite narra a história de três náufragos, duas mulheres e um homem em um barco à deriva. Em meio à essa situação vem à tona a história dos personagens. Uma das mulheres abandonou o marido bêbado, o homem havia se envolvido com uma mulher casada e leprosa e foge diante da descoberta a outra mulher depois de ter conseguido fugir da prisão não agüenta o tédio da vida doméstica.
As histórias são compartilhadas entre eles enquanto rumam , já prostrados, para a derrocada final.
Elenco: Olga Breno, Tarciana Rey, Carmen Santos, Raul Schnoor, Brutus Pedreira, Mário Peixoto e Edgar.
A trilha sonora feita por Brutus Pedreira e contém músicas de Erik Satie, Claude-Achille Debussy, Serghei Sergheievitch Prokofiev, Maurice Ravel, Igor Stravinsky, Aleksandr Porfirevich Borodin e César Franck.
Influenciado pelos cineastas da avant-garde francesa, que defendiam a pureza da arte cinematográfica, Mário Peixoto fez um dos filmes experimentais mais expressivos da história do cinema mudo nacional, ao lado de “Riens Que Lês Heures” (1926) de Alberto Cavalcanti, filmado em Paris e “São Paulo – Sinfonia da Metrópole” (1929) de Rodolfo Lustig e Alberto Kemeny.
O filme foi escrito em uma noite, inspirado em uma fotografia de André Kertesz na edição de número 74 da revista “VU”, que Peixoto viu quando ainda estava em Paris em 1929. Na foto, o rosto de uma mulher tem em diante de si, mãos masculinas algemadas.
Quando chegou ao Brasil, em outubro desse mesmo ano, ele ofereceu o filme a Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, que sugeriram que ele mesmo o fizesse.
Edgar Hausschild, o cameraman, teve grande importância na realização do filme, foi ele quem construiu o equipamento necessário para realizar os movimentos de câmera indicados por Peixoto. O filme estreou em 17 de maio de 1931 no clube Capitólio, no Rio de Janeiro, em uma sessão do Chaplin Club. O filme foi exibido tanto no Brasil quanto no exterior e teve boa repercussão, sendo considerado um filme de vanguarda, embora sem a exaltação da máquina, freqüente nos filmes considerados vanguardistas nesse período. Em 1959, o filme em nitrato entra em deterioração, onde Plinio Sussekind e Saulo Pereira de Mello se mobilizam para restaurá-lo. A restauração durou um longo tempo, o filme só voltaria a ser exibido em 1978 e muita gente chegou a questionar sua existência.
Mário Peixoto
Mário Breves Peixoto nasceu em 25 de março de 1908, descendente de traficantes de escravo por parte da mãe e usineiros de açúcar por parte do pai.
Em 1926 interrompe os estudos para ir até a Inglaterra, onde permanece até agosto de 1927.
Participa do “Chaplin Club”, um cineclube da época responsável pela publicação da revista “ O FAN”.
Volta a Europa em junho de 1929 com a intenção de se aprofundar na arte cinematográfica. Inspirado na capa da edição 74 da revista “VU”, uma foto de André Kertesz, que viu quando passava por Paris, escreve em uma noite o filme “Limite”. Começa a filmá-lo em 1930, já de volta ao Brasil e exibe-o pela primeira vez no Cinema Capitólio em 1931. O filme foi considerado foi bem aceito e considerado como “cinema puro”, influência dos cineastas da avant-garde francesa, com quem teve contato quando de sua passagem por Paris. Embora tenha tentado diversas vezes realizar outros filmes, “Limite” foi o único longa-metragem dirigido por Mário Peixoto. O filme começou a se deteriorar em 1957 e teve de ser restaurado por Plínio Sussekind e Saulo Pereira de Mello, processo que só foi finalizado em 1971. O filme só voltou a ser exibido em público em1978, o que gerou a lenda em torno de sua existência.
Mário Peixoto publicou em 1931 um livro de poemas chamado “Mundéu”, com prefácio escrito por Mário de Andrade, reeditado em 1996 pela editora Sette Letras. Ainda nesse ano publica três contos e uma peça de teatro na revista “Bazar”, que estão em uma coletânea feita por Saulo Pereira de Mello em 2004 pela editora aeroplane intitulada “Seis Contos e Duas Peças Curtas”.Também pela aeroplane saiu em 2002 uma coletânea de poemas feitos entre 1930 e 1960 “Poemas de Permeio com o Mar”.
Em 1934 publica “O Inútil de Cada Um”, seu primeiro romance, que ele continua escrevendo até o fim da vida, desdobrando-o em seis volumes. Falece em 2 de fevereiro de 1992.










