Posts de Outubro, 2007

h1

Acabou a festa

Outubro 31, 2007

fim.jpg

Flores murcham,

andorinhas partem,
galinhas ciscam…
é tempo de bode (preto!)

- Cana na picareta.

Sem mentiras, nem rodeios:

Devido aos problemas da metrópole, chuva x trânsito x irracionalidade de seus habitantes, não conseguimos chegar a tempo para a  última sessão.
Pedimos desculpas aos presentes e por possíveis inconvenientes causados.

Informamos ainda que a partir desta quarta estão encerradas as sessões do Cine Clubinho. O coletivo Bromidrose não ocupará mais a associação.

Agradecemos ao nosso querido público (qualquer que tenha sido ele).

h1

“Cinema puro”

Outubro 23, 2007

Dia 24/10 o Cine Clubinho exibirá “Limite” (1930) de Mario Peixoto.

limite.jpg

Limite narra a história de três náufragos, duas mulheres e um homem em um barco à deriva. Em meio à essa situação vem à tona a história dos personagens. Uma das mulheres abandonou o marido bêbado, o homem havia se envolvido com uma mulher casada e leprosa e foge diante da descoberta a outra mulher depois de ter conseguido fugir da prisão não agüenta o tédio da vida doméstica.
As histórias são compartilhadas entre eles enquanto rumam , já prostrados, para a derrocada final.
Elenco: Olga Breno, Tarciana Rey, Carmen Santos, Raul Schnoor, Brutus Pedreira, Mário Peixoto e Edgar.
A trilha sonora feita por Brutus Pedreira e contém músicas de Erik Satie, Claude-Achille Debussy, Serghei Sergheievitch Prokofiev, Maurice Ravel, Igor Stravinsky, Aleksandr Porfirevich Borodin e César Franck.
Influenciado pelos cineastas da avant-garde francesa, que defendiam a pureza da arte cinematográfica, Mário Peixoto fez um dos filmes experimentais mais expressivos da história do cinema mudo nacional, ao lado de “Riens Que Lês Heures” (1926) de Alberto Cavalcanti, filmado em Paris e “São Paulo – Sinfonia da Metrópole” (1929) de Rodolfo Lustig e Alberto Kemeny.
O filme foi escrito em uma noite, inspirado em uma fotografia de André Kertesz na edição de número 74 da revista “VU”, que Peixoto viu quando ainda estava em Paris em 1929. Na foto, o rosto de uma mulher tem em diante de si, mãos masculinas algemadas.
Quando chegou ao Brasil, em outubro desse mesmo ano, ele ofereceu o filme a Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, que sugeriram que ele mesmo o fizesse.
Edgar Hausschild, o cameraman, teve grande importância na realização do filme, foi ele quem construiu o equipamento necessário para realizar os movimentos de câmera indicados por Peixoto. O filme estreou em 17 de maio de 1931 no clube Capitólio, no Rio de Janeiro, em uma sessão do Chaplin Club. O filme foi exibido tanto no Brasil quanto no exterior e teve boa repercussão, sendo considerado um filme de vanguarda, embora sem a exaltação da máquina, freqüente nos filmes considerados vanguardistas nesse período. Em 1959, o filme em nitrato entra em deterioração, onde Plinio Sussekind e Saulo Pereira de Mello se mobilizam para restaurá-lo. A restauração durou um longo tempo, o filme só voltaria a ser exibido em 1978 e muita gente chegou a questionar sua existência.

Mário Peixoto

Mário Breves Peixoto nasceu em 25 de março de 1908, descendente de traficantes de escravo por parte da mãe e usineiros de açúcar por parte do pai.
Em 1926 interrompe os estudos para ir até a Inglaterra, onde permanece até agosto de 1927.
Participa do “Chaplin Club”, um cineclube da época responsável pela publicação da revista “ O FAN”.
Volta a Europa em junho de 1929 com a intenção de se aprofundar na arte cinematográfica. Inspirado na capa da edição 74 da revista “VU”, uma foto de André Kertesz, que viu quando passava por Paris, escreve em uma noite o filme “Limite”. Começa a filmá-lo em 1930, já de volta ao Brasil e exibe-o pela primeira vez no Cinema Capitólio em 1931. O filme foi considerado foi bem aceito e considerado como “cinema puro”, influência dos cineastas da avant-garde francesa, com quem teve contato quando de sua passagem por Paris. Embora tenha tentado diversas vezes realizar outros filmes, “Limite” foi o único longa-metragem dirigido por Mário Peixoto. O filme começou a se deteriorar em 1957 e teve de ser restaurado por Plínio Sussekind e Saulo Pereira de Mello, processo que só foi finalizado em 1971. O filme só voltou a ser exibido em público em1978, o que gerou a lenda em torno de sua existência.
Mário Peixoto publicou em 1931 um livro de poemas chamado “Mundéu”, com prefácio escrito por Mário de Andrade, reeditado em 1996 pela editora Sette Letras. Ainda nesse ano publica três contos e uma peça de teatro na revista “Bazar”, que estão em uma coletânea feita por Saulo Pereira de Mello em 2004 pela editora aeroplane intitulada “Seis Contos e Duas Peças Curtas”.Também pela aeroplane saiu em 2002 uma coletânea de poemas feitos entre 1930 e 1960 “Poemas de Permeio com o Mar”.
Em 1934 publica “O Inútil de Cada Um”, seu primeiro romance, que ele continua escrevendo até o fim da vida, desdobrando-o em seis volumes. Falece em 2 de fevereiro de 1992.

h1

O Rio no Clubinho

Outubro 16, 2007

No dia 17/10, o Cine Clubinho exibirá dois documentários: “Fala Mangueira” (1982) de Fred Confalonieri e “Sou Feia Mas Tô Na Moda” (2005) de Denise Garcia.

flyer_fala_mangueira1.jpg

Fala Mangueira

Mostra a relação entre o samba da escola Mangueira e a importância que tem no cotidiano dos moradores do morro, sua importância cultural para a comunidade. Através da narração de Grande Otelo, vamos vendo imagens da vida dos moradores do morro, seu dia-a-dia e a história do samba através de seus principais representantes locais. Participam do filme: Canhão Tá-Lá, Diara, Jandira Araújo, Kátia Monteiro, Nado Mesmo, Cartola, Martinho da Vila, Xangô, Abdias do Nascimento, Beto Fim de Noite, Carlos Cachaça, Chimbico, Clementina de Jesus, D. Neuma, D. Zica, Delegado, Dione, Dirceu, Ítala Nandi, Lilinho, Padeirinho, Robertinho, Tantinho, Babau e Waldomiro.

Sou Feia Mas Tô Na Moda

Estréia de Denise Garcia na direção de longa-metragem, o documentário acompanha o universo do funk no Rio de Janeiro, mais especificamente na Cidade de Deus. Denise acompanhou durante cerca de um ano os bailes de funk no morro, dando destaque para a ala feminina do movimento, que ganhou destaque com o sucesso de Tati Quebra-Barraco. A diretora porém não foca o documentário em cima de Tati e mostra outras personagens como Deise da Injeção, Vanessinha Pikachú e o bonde Gaiola das Popozudas. Alguns representantes da ala masculina do funk também aparecem no documentário como o DJ Marlboro, e os Mcs Cidinho e Doca.

h1

À Meia Noite Levarei Sua Alma

Outubro 8, 2007

meia-noite.jpg

No dia 10/10 o Cine Clubinho exibirá “À Meia Noite Levarei Sua Alma” (1964) de José Mojica Marins.
Esse filme é o primeiro longa-metragem de Mojica depois de algumas tentativas frustradas nesse sentido. É nesse filme que aparece pela primeira Zé do Caixão,personagem que o tornará popular e é fruto de um pesadelo. Ao acordar, Mojica resolveu anotar tudo e utilizar como enredo em seu filme. Nessa época ele dava aulas em um “curso de cinema” (sem nunca ter feito nenhum estudo formal nessa área), e seus alunos o ajudaram a bancar essa empreitada. Mojica chegou a vender móveis, utensílios domésticos e até algumas roupas para auxiliar no orçamento do filme. Dormia no estúdio, dentro do caixão utilizado no filme. Sua mulher estava grávida na época.
O filme narra a saga de Zé do Caixão, personagem cético que aterroriza a cidade. Seu objetivo é ter um filho para perpetuar seu sangue. Como sua mulher não consegue ter um filho, resolve matá-la. Passa então a cobiçar a mulher de seu amigo. Mata o amigo e violenta sexualmente sua mulher que acaba por se suicidar. Esse filme é o primeiro de uma trilogia que continua em “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966) e será finalizada com “Encarnação do Demônio”, mais novo filme de Mojica que está para ser lançado.
À Meia-Noite Levarei Sua Alma tem em seu elenco José Mojica Marins, Magda Mei, Nivaldo de Lima, Valéria Vasquez, Ilidio Martins, Arildo Lima, Vânia Rangel, Graveto, Robinson Aielo, Avelino Marins, Laercio Laurelli, Mario Lima, Antonio Martins, Arildo Iruam, Geraldo Bueno, Genésio Carvalho, Eucharis Morais, Oscar Morais.

José Mojica Marins

Nasceu em 13 de março, em São Paulo. Suas primeiras produções são longas e médias metragens mudos, como “A Mágica do Mágico” (1945), “Beijos à Granel” (1946), “Sonhos de vagabundo” (1947) e “A Voz do Coveiro” (1948), filmados em 16mm. Seu primeiro filme sonoro completo é “Sina de Aventureiro” (1957), em 1955 ele havia começado as filmagens de “Sentença de Deus”, que ficou inacabado. Em 1964, Mojica torna-se conhecido graças à sua personagem Zé do Caixão, no longa “Á Meia-Noite Levarei Sua Alma”. Outro filme bastante conhecido dessa época e também com Zé do Caixão é “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966). Através desses filmes ele fica conhecido internacionalmente para só depois ser “descoberto” pela crítica, imprensa e público nacionais. Em 1970, seu filme “Ritual dos Sádicos” foi censurado pelos militares. Mojica ficou marcado por sua personagem Zé do Caixão e teve de explorá-la ao máximo para arrecadar recursos para seus filmes. No fim da década de 70 e início da de 80 assina vários filmes de sexo explícito com o pseudônimo de J. Avelar. Seus filmes integraram o cinema marginal, ao lado de Ozualdo Candeias, Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach e Andréa Tonacci.
Além de José Mojica, Zé do Caixão e J. Avelar, alguns de seus filmes são creditados como Coffin Joe.

h1

Mais uma tentativa de destruir o mundo

Outubro 3, 2007

flyer_06_10_2007.jpg

h1

Noite de cinema loucura

Outubro 2, 2007

flyer_03_10_20071.jpg

No dia 03/10, o Cine Clubinho exibirá três média-metragens: “Entr’Acte” (1924) de René Clair, “Scorpio Rising” (1964) de Kenneth Anger e “Palhaço Triste” (2005) de Petter Baiestorf.

Entr’Acte, o segundo filme de René Clair, é um experimento artístico que explora de forma extremamente original os recursos da linguagem cinematográfica. Carrega forte influencia dos movimentos artísticos vanguardistas dos anos 20, destacadamente o surrealismo e o dadaísmo. O filme é experimental, com uma narrativa completamente fragmentada. Entre os nomes envolvidos nessa empretitada estão: Francis Picabia (pintor), Erik Satie (compositor), Marcel Duchamp (pintor e escultor), Man Ray (fotógrafo) e Jean Borlin (bailarino). Quando de sua estréia, o filme estava vinculado a um balé produzido por Erik Satie e Francis Picabia intitulado “Relachê”.

Scorpio Rising trata da temática homossexual, através de imagens de jovens motoqueiros nazistas em suas orgias. Em meio à essas imagens aparecem referências a Jesus Cristo, James Dean e Marlon Brando, o fetiche por couro e canções doo-wop (pop americano vocal dos anos 40). A cena final mostra um estupro, seguido de um acidente automobilístico. “Foi um final perfeito para “Scorpio Rising”, porque o signo de escorpião refere-se a sexo e morte, e também rege as máquinas – porque os órgãos sexuais são as máquinas do corpo” (Kenneth Anger)

Palhaço Triste foi feito através da Canibal Filmes junto com a Bulhorgia Produções. É dirigido e roteirizado por Petter Baiestorf, com a edição de Gurcius Gewdner. O filme narra a história de vida, ideologias e paixões do diretor.

René Clair
Nasceu em Paris em 1898, seu primeiro filme foi “Paris Adormecida” (Paris qui dort, 1923). Esteve ligado com as vanguardas artísticas dos anos 20, o que conferiu caráter experimental ao seu segundo trabalho “Entr’Acte” (1924). Essa linha de experimentalismo, porém, não acompanhou sua obra no decorrer dos anos. Faleceu em 1981.

Kenneth Anger
Integrou o cinema underground norter-americano ao lado de nomes como Paul Morrissey, Derek Jarman, Andy Warhol e William Burroughs, sendo um de seus representantes mais indigestos . Seus filmes abordam a temática sexual, em especial a homoerótica além de fazerem diversas alusões à Thelema (filosofia de Aleister Crowley). Quando fez seu primeiro filme “Escape Episode” tinha 17 anos, porém o seu trabalho mais representativo foi “Fireworks” (1947). Sua produção cinematográfica contém ainda forte influência da beat generation.

Petter Baiestorf
É um diretor catarinense, mais especificamente da cidade de Palmitos. Nascido em 13 de novembro de 1974, produz filmes desde 1992 em VHS e de forma independente. Seus filmes são trash ao extremo, sangrentos e indigestos. Em 1995 consegue algum êxito comercial com “Monstro Legume do Espaço”, filmado em apenas 4 dias devido à uma moda de filmes trash entre a classe média brasileira. Continua produzindo filmes através de sua produtora “Canibal Filmes”.