No dia 26/09, o Cine Clubinho apresentará o curta metragem “O Pedido de Emprego” (1999) de Pedro Caldas. Esse curta é todo feito a partir de um plano-sequência com 7 minutos de duração, onde uma mulher comparece à uma entrevista de emprego que acaba por revelar seu passado. Atuam no filme Sylvie Roche e Lucinda Loureiro. O argumento é de Jorge Silva Melo, fotografia de Isabel Aboim, som de Raquel Jacinto e montagem de Nelly Querttier. Esse curta ganhou o prêmio Cottinelli Telmo no Festival de Curtas de Vila do Conde.
Na seqüência será exibido “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), primeiro longa-metragem de Rogério Sganzerla e marco do cinema marginal. Livremente inspirado na vida de João Acácio Pereira da Costa, famoso ladrão catarinense, o longa narra a história de Jorge, assaltante de residências em São Paulo, sempre acompanhado de sua lanterna vermelha, possui as esposas dos assaltados e tem longos diálogos com suas vítimas. A história vai sendo pontuada pela narração de repórteres de rádio sensacionalistas que especulam sobre o bandido. Em suas incursões à Santos, Jorge conhece Janete Jane por quem se apaixona. O delegado Cabeção responsável pelo caso fica em seu encalço, enquanto luz vermelha circula livremente pela região da boca do lixo gastando o fruto de seus roubos. Tem ainda as frases antológicas proferidas pelo meliante como “Quem tiver de sapato não sobra”, “Eu posso falar de boca cheia: sou um boçal” e “Quem não pode nada tem mais é que se esculhambar”. Elenco: Pauloo Vilaça, Helena Ignez, Ségio Hingst, Luiz Linhares, Sônia Braga, Ítala Nandi, Hélio Aguiar, Pagano Sobrinho, Roberto Luna, Sérgio Mamberti, Carlos Reichenbach, Renato Consorte, Maurice Capovilla, Neville de Almeida e Miriam Mehler. Filme Produzido pela Urânio Filmes, distribuído por Urânio Filmes e Rio Filmes tem a fotografia de Peter Overbeck, desenho de produção de Andréa Tonaci e montagem de Sílvio Renoldi.
Pedro Caldas
Curta-metragista português nascido em 1958 formado pela Escola Superior de Teatro e Cinema, além de possuir licenciatura em Geografia.
Trabalhou como operador de som em filmes de Paulo Rocha, Solveig Nordlund, Vítor Gonçalves, Joaquim Leitão, Ana Luísa Guimarães, António Pedro Vasconcelos, Pedro Costa, Jorge Silva Melo, Joaquim Sapinho, António Reis e Margarida Cordeiro. Dirigiu curtas-metragens e foi filiado aos Artistas Reunidos até 2000.
Rogério Sganzerla
Nasceu em Joaçaba (SC) no ano de 1946. Nos anos 60, trabalhou no jornal O Estado de São Paulo em um suplemento literário, escrevendo sobre cinema.
Depois de realizar dois filmes curta metragem ele lança em 1968 seu primeiro longa “O Bandido da Luz Vermelha”. Esse filme marcou o movimento conhecido como Cinema Marginal, originado no bairro do centro, na região conhecia como “A Boca do Lixo” e inaugurado um ano antes com o filme “A margem” de Ozualdo R. Candeias. Outros nomes do Cinema Marginal foram Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, José Mojica Marins e Andrea Tonacci.. Sganzerla propôs a Estética do Lixo, utilizando-se das sobras, dos resíduos para fazer cinema, em contraposição à Estética da Fome de Glauber Rocha, principal representante do Cinema Novo. Para Sganzerla, após seu período revolucionário, o Cinema Novo tornou-se um movimento de elite, conservador de direita.
Faleceu em decorrência de um tumor no cérebro em 9 de janeiro de 2004 pouco depois de concluir seu último filme “O Signo do Caos”.






